
Crescimento do home office, delivery e crescimento das compras online são alguns dos desafios a serem enfrentados pelos gestores
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, cerca de 6,6 milhões de brasileiros trabalhavam em regime de home office, o equivalente a 7,9% da população ocupada no país. Embora o percentual seja menor que o registrado no auge da pandemia, ele permanece acima dos níveis pré-2020, indicando que o trabalho remoto deixou de ser exceção e passou a integrar de forma estrutural a rotina de parte da população.
Na prática, isso significa maior permanência nos apartamentos ao longo do dia, aumento no uso de elevadores e áreas comuns em horário comercial e intensificação de demandas relacionadas a ruídos, reformas internas e infraestrutura de internet.
Ao mesmo tempo, o crescimento do delivery e das compras online alterou de forma significativa a rotina operacional dos condomínios. O que antes se concentrava em horários específicos — como entregas de supermercado aos fins de semana — hoje acontece ao longo de todo o dia, com pedidos de refeições, farmácia, e-commerce, encomendas expressas e serviços sob demanda.
Esse aumento no fluxo de entregadores e prestadores impacta diretamente a segurança e a logística interna. A portaria passa a lidar com maior volume de identificação e liberação de acesso, elevadores são utilizados com mais frequência por terceiros e há necessidade de reforçar protocolos para evitar entradas indevidas.
Além disso, cresce a discussão sobre:
- Criação de espaços exclusivos para recebimento de encomendas;
- Instalação de lockers inteligentes;
- Restrição de circulação de entregadores nas áreas comuns;
- Definição de horários para entregas de grande porte;
- Responsabilidade em caso de extravio de pacotes.
Outro ponto sensível é a sobrecarga da equipe de portaria, que muitas vezes assume a função informal de recebimento e guarda de encomendas. Sem regras claras, o condomínio pode enfrentar conflitos com moradores e até questionamentos jurídicos sobre responsabilidade por perdas ou danos.
Há ainda impacto indireto no orçamento. Maior circulação exige monitoramento mais eficiente, manutenção constante de equipamentos de segurança e, em alguns casos, ampliação do quadro de funcionários ou contratação de soluções tecnológicas.
Diante desse cenário, o síndico precisa atualizar o regimento interno, comunicar regras com clareza e investir em organização operacional — equilibrando conveniência para o morador e controle de riscos para o condomínio.