
Maior ocupação em locais de veraneio e o uso intensivo de ar-condicionado e ventiladores podem resultar em gastos desnecessários. Veja como equacionar o problema
Com a chegada do verão, cresce a ocupação em condomínios residenciais, especialmente em cidades turísticas e regiões de veraneio. Ao mesmo tempo, o uso mais intenso de ar-condicionado, ventiladores, chuveiros e áreas de lazer tende a elevar significativamente o consumo de água e energia elétrica, pressionando o orçamento dos moradores e a gestão condominial.
Segundo Eduardo Domingues, sócio-diretor da Apolar Condomínios, o aumento do consumo está diretamente ligado ao comportamento sazonal e ao uso intensivo das estruturas. “O consumo cresce principalmente pelo uso mais frequente de ar-condicionado, ventiladores e chuveiros elétricos, pelo maior número de banhos diários, pela lavagem constante de áreas comuns e pelo funcionamento contínuo de piscinas e bombas”, explica.
Em condomínios de temporada, o cenário pode ser ainda mais desafiador. “A alta rotatividade e o perfil de moradores temporários, que muitas vezes não têm vínculo com a rotina do condomínio, tendem a reduzir o cuidado com o consumo. Além disso, equipamentos antigos ou mal regulados contribuem significativamente para o aumento das contas”, alerta.
Melhor estratégia é a prevenção
Para o especialista, a principal estratégia para evitar gastos excessivos é a prevenção. “Revisar bombas, registros, boias, caixas d’água e sistemas elétricos antes da alta temporada ajuda a evitar desperdícios. Também é fundamental checar vazamentos aparentes e ocultos, avaliar contratos e demanda de energia, planejar o orçamento para os meses críticos e alinhar com a administradora uma estratégia clara de monitoramento”, orienta.
A identificação de desperdícios passa, segundo ele, por acompanhamento constante. “A comparação do consumo atual com o histórico do mesmo período em anos anteriores, leituras mais frequentes de hidrômetros e medidores e a observação de consumo elevado em horários de baixo uso são sinais de alerta”, afirma. Inspeções regulares em áreas comuns, casas de máquinas, vestiários e espaços de lazer também ajudam a detectar falhas operacionais e sobrecarga de equipamentos.
Medidas simples podem gerar impacto imediato nas contas. “Ajustes como regulagem de boias e registros, reparo de vazamentos em torneiras e válvulas, troca de lâmpadas por LED, instalação de sensores de presença e temporizadores em áreas comuns e a revisão dos horários de funcionamento de bombas e sistemas de irrigação costumam trazer resultados rápidos”, destaca.
Nos condomínios de veraneio, o cuidado deve ser redobrado. “É essencial garantir que bombas, reservatórios e sistemas elétricos estejam dimensionados para picos de uso, reforçar a manutenção antes e durante a temporada e estabelecer regras claras para o uso de duchas externas, lava-pés e piscinas”, pontua. O monitoramento diário do consumo e o alinhamento com proprietários que alugam os imóveis também são fundamentais.
Campanhas educativas e gestão
Além das soluções técnicas, a comunicação com os moradores é apontada como fator decisivo. “A chave está em uma comunicação clara, objetiva e não punitiva. Campanhas educativas com linguagem simples, avisos em elevadores e áreas comuns, mensagens nos canais oficiais do condomínio e orientações específicas para locatários no check-in ajudam a engajar”, diz Eduardo. Segundo ele, o foco deve estar sempre no benefício coletivo e no impacto direto do consumo no orçamento e nas taxas condominiais.
Ferramentas de controle têm papel estratégico na gestão. “Planilhas, dashboards de consumo, leitura remota de hidrômetros e medidores, relatórios periódicos da administradora e alertas automáticos de desvios permitem decisões mais rápidas e evitam surpresas no fechamento das contas”, afirma.
Por fim, o especialista alerta para erros comuns cometidos no verão. “Os principais são agir apenas quando a conta já chegou elevada, ignorar pequenos vazamentos, não planejar financeiramente os meses críticos e falhar na comunicação com moradores e usuários temporários”, enumera. Para evitar esses problemas, ele reforça: “O síndico deve adotar uma postura preventiva, monitorar o consumo de forma contínua e apostar em uma gestão colaborativa e transparente”.